Somp quadruplica risco de doença cardíaca em mulheres – 23/07/2026 – Equilíbrio e Saúde
Mulheres com Somp (sigla que vem do inglês para síndrome ovariana metabólica poliendócrina)nova denominação para a síndrome dos ovários policísticos (SOP, ou PCOS), têm risco quatro vezes maior de desenvolver doença cardiovascular aterosclerótica do que mulheres sem a condição.
O resultado é do maior estudo já feito nos Estados Unidos sobre o tema, publicado na última segunda-feira (20) na revista The Lancet Obstetrícia, Ginecologia e Saúde da Mulher. É estimado que a Somp afete entre 10% e 13% das mulheres no mundo.
A pesquisa usou dados de seguros de saúde de 413.450 mulheres com Somp, de 18 a 50 anos, comparadas a 2.067.250 mulheres sem a síndrome, pareadas por idade. As informações vêm do banco de dados Optum Clinformatics, com registros de 2000 a 2022.
O risco cardíaco composto, que reúne doença coronariana, cerebrovascular e arterial periférica, foi 4,4 vezes maior no grupo com Somp do que no grupo sem a síndrome —mesmo depois de descontado o peso de fatores como obesidadehipertensão e diabetes.
Segundo os pesquisadores, esses fatores tradicionais explicam apenas 36% da associação entre Somp e doença cardíaca, o que sugere que outros mecanismos biológicos ligados à síndrome também contribuem para o risco, como o hiperandrogenismo (desequilíbrio hormonal causado pelo excesso de hormônios) característico da condição.
Isso mostra que, mesmo comparando apenas mulheres com o mesmo perfil de risco tradicional, quem tem Somp ainda corre mais risco de problema cardíaco. O padrão se repetiu tanto em mulheres com menos de 40 anos quanto nas com 40 anos ou mais.
A diferença entre os grupos cresce com o tempo: aos dez anos de acompanhamento, o risco acumulado de doenças cardiovasculares era de 12,16% entre as mulheres com Somp, contra 4,21% no grupo de referência.
Os pesquisadores testaram a robustez do resultado em análises adicionais, removendo o uso de medicamentos como contraceptivos hormonais e metformina do modelo, e excluindo participantes com dados faltantes sobre raça ou escolaridade: em ambos os casos, o risco elevado se manteve praticamente inalterado.
O resultado contrasta com estudos anteriores sobre o tema, que tiveram resultados conflitantes: uma metanálise de cinco estudos não havia encontrado associação entre Somp e risco cardiovascular composto, o que os autores atribuem a amostras menores e definições pouco consistentes de desfecho cardíaco nos trabalhos anteriores.
Os pesquisadores recomendam que médicos avaliem o risco cardíaco desde o diagnóstico de Somp e reforcem orientações sobre controle de peso, alimentação e atividade física para reduzir o risco ao longo da vida. Pesquisas anteriores já apontavam diagnóstico tardio e insatisfação de pacientes com a orientação recebida sobre complicações de longo prazo da síndrome.
Os pesquisadores defendem ainda que estudos futuros investiguem se diferentes fenótipos de Somp e tratamentos, como antiandrógenos, metformina e Agonistas de GLP-1influenciam esse risco cardiovascular, além de acompanhar como ele evolui após a menopausa, período não coberto pela amostra do estudo.
O estudo tem limitações. Os dados vêm de registros administrativos de seguros, não de prontuários clínicos completos, o que pode gerar imprecisões.
Os pesquisadores também não tinham acesso a exames de colesterol detalhados nem a dados de mortalidade. Além disso, a amostra é limitada a mulheres seguradas nos EUA, o que restringe a generalização para outras populações.




