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Como mulher sobreviveu por décadas com um pulmão de aço – 23/07/2026 – Equilíbrio e Saúde

Martha Lillard foi a última paciente com poliomielite não EUA a utilizar um pulmão de açomas sua família disse à BBC que ela nunca deixou que isso a impedisse de viver plenamente.

Mesmo com o grande dispositivo de metal envolvendo seu corpo por horas todos os dias durante a maior parte de sua vida, Martha encontrou uma maneira de dirigir, dedicou-se à pintura e cuidou de seus amados cães da raça beagle.

“[Martha] era resiliente. Ela encontrava um jeito ou dava um jeito”, afirma sua irmã mais nova, Cindy McVey.

Moradora de Oklahoma, ela morreu aos 78 anos, em 26 de junho. Embora a causa oficial da morte tenha sido registrada como síndrome pós-pólio e insuficiência pulmonar crônicaMcVey atribui a morte da irmã aos efeitos da Covid de longa duração.

O pulmão de aço utiliza um sistema de pressão negativa. Acionado por um motor, seu fole extrai o ar do cilindro, criando um vácuo ao redor do corpo do paciente e forçando os pulmões a se expandirem e a absorverem ar. Quando o ar é readmitido, o processo inverso faz com que os pulmões se esvaziem.

Dezenas de milhares de pessoas dependeram de pulmões de aço para sobreviver após o pico da poliomielite na década de 1950. Martha utilizou o aparelho para se manter viva por cerca de 73 anos.

Ela não temia a máquina, como algumas crianças temiam. “Ela a recarregava e a fazia se sentir melhor”, diz McVey.

Quando Martha recebeu o diagnóstico, em meados da década de 1950, as conversas e a preocupação com a doença incurável dominavam tudo.

Até mesmo a própria Martha, aos cinco anos de idade, sabia da doença e se preocupava com ela, disse sua irmã.

“Martha acordou e não conseguia levantar a cabeça do travesseiro. Ela disse que soube imediatamente que estava com poliomielite, porque ouvia falar muito sobre isso”, conta McVey.

Após um período de internação, Martha e sua família concentraram-se na recuperação. Ela passou por fisioterapia, terapia ocupacional e hidroterapia, buscando preservar o máximo de força possível.

Acabou recuperando o uso parcial do braço esquerdo e o movimento das pernas.

Não era apenas Martha quem estava determinada a viver como as outras pessoas de sua idade. Sua família também insistia nisso e se empenhava em fazer tudo o que estivesse ao seu alcance.

O tio e o avô de Martha criaram um mecanismo para abrir o pulmão de aço, permitindo que ela vivesse sozinha e entrasse e saísse do equipamento por conta própria.

“Ela conseguia fazer coisas que a maioria dos pacientes que usam pulmão de aço não conseguia”, diz McVey.

Um veículo foi adaptado para que Martha pudesse dirigir, com o volante posicionado de modo a ficar sobre o seu colo, tornando-o acessível para ela.

As flechas ficavam no assoalho, também ao alcance de Martha, que tinha mobilidade limitada nos braços.

Ela era uma artista e uma intelectual, disse McVey, descrevendo as paisagens detalhadas que a irmã pintava e as inúmeras perguntas que fazia ao seu dispositivo Alexa.

Martha gostava de passar o tempo conversando com seu companheiro há mais de 20 anos, Baha Salh. Ele mudou-se do Egito para os Estados Unidos neste ano, após obter o visto, e casou-se com Martha em fevereiro, conta McVey.

‘A doença desfigura, incapacita e deixa as pessoas aprisionadas’

A poliomielite, que afetava principalmente crianças, causou estragos no final do século 19 e início do século 20, matando e deixando com sequelas inúmeras crianças.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada 200 infecções por poliomielite resulta em paralisia irreversível. Entre os que sofrem paralisia, de 5% a 10% morrem quando a musculatura respiratória fica imobilizada.

UM vacina contra a poliomielite tornou-se disponível a partir de 1955.

Nos EUA, onde Martha nasceu, a pólio foi declarada eliminada em 1979, o que significa que a doença não circulava mais rotineiramente entre a população.

Isso foi possível graças a uma campanha de vacinação em âmbito nacional nos EUA.

No entanto, atualmente, a hesitação com relação a vacinas está aumentando no país, e autoridades de saúde do governo Donald Trump sugerem que mais vacinas se tornem opcionais, e não mais obrigatórias.

Kirk Milhoan, presidente do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principal órgão de saúde pública dos Estados Unidos, sugeriu no início deste ano que as vacinas contra a poliomielite deveriam ser opcionais.

“Ao analisarmos a poliomielite, não devemos ter receio de considerar que vivemos em uma época diferente daquela”, disse Milhoan. “Nossas condições de saneamento são outras, o risco de doença é diferente, portanto todos esses fatores influenciam a avaliação sobre se vale a pena ou não correr os riscos associados à vacina.”

Esse tipo de conversa preocupa McVey.

“A poliomielite é terrível”, ela afirma, emocionada. “A doença causa deformações e invalidez, deixando as pessoas aprisionadas. Tínhamos a situação sob controle aqui e, agora, há todas essas pessoas que não estão vacinando seus filhos.”

McVey teme que as lembranças da poliomielite tenham se tornado distantes demais para que as pessoas se recordem de quão grave ela pode ser.

“As pessoas podem achar que existem problemas com a vacina, mas há problemas muito maiores se não se vacinarem”, afirmou ela.

Martha contraiu poliomielite no ano anterior ao lançamento da vacina.

“Eu tive uma amiga que pôde testar aquela vacina no ano em que a Martha contraiu poliomielite”, contou ela. “Foi por muito pouco.”

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