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Entenda por que o cabelo pode cair mais no inverno – 17/07/2026 – Equilíbrio

Com a chegada do invernoaumentam os casos de gripe, COVID-19 e outras infecções respiratórias. Além dos sintomas gripais típicos, essas doenças podem causar efeitos no organismo meses após a cura. Entre eles, uma queda mais intensa de cabelo.

“A relação entre inverno e queda capilar não é tão simples. Alguns estudos sugerem que pode haver uma variação sazonal do ciclo capilar, com maior proporção de fios entrando na fase de queda em determinados períodos do ano”, relata a dermatologista e tricologista Bárbara Miguel, do Einstein Hospital Israelita.

Diversos fatores biológicos e ambientais atuam em conjunto para que isso ocorra —a queda da temperatura, por si só, não faz o cabelo cair. Durante e após uma infecção, o organismo pode entrar em estado inflamatório intensocapaz de desregular o ciclo natural dos folículos capilares. Como consequência, muitos fios interrompem precocemente sua fase de crescimento e passam para a fase de queda, em um quadro conhecido como eflúvio telógeno, uma das causas mais comuns de perda temporária de cabelo.

“É como se o organismo sinalizasse aos fios que seu crescimento não é a prioridade naquele momento de muito estresse metabólico”, explica a dermatologista Natalia Cymrot, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo (SBD-SP). A Covid-19, por exemplo, é uma das infecções com potencial de causar intensa inflamação no organismo. “Outras infecções sistêmicas que causam inflamação também cursam frequentemente com eflúvio telógenocomo influenza ou infecções bacterianas”, diz.



É como se o organismo sinalizasse aos fios que seu crescimento não é a prioridade naquele momento de muito estresse metabólico

Um dos aspectos que mais confundem é o intervalo entre a infecção e o início da queda dos fios. Na maioria dos casos, o problema não aparece durante a doença, mas algum tempo depois.

“A queda geralmente começa três meses após a infecção, período correspondente ao tempo necessário para os folículos completarem a transição para a fase de queda. Por ocorrer meses após a recuperação da doença, muitos pacientes não fazem imediatamente essa associação”, explica Bárbara Miguel.

Muitas vezes, é apenas durante a consulta médica que o evento desencadeante é identificado. Em infecções mais graves, a queda pode aparecer um pouco mais cedo. Ainda assim, o mais comum é que o paciente perceba a perda de fios entre dois e quatro meses depois da doença.

Problema temporário

Embora a situação costume causar preocupação em quem está com queda de cabelo, o eflúvio telógeno é, na maior parte das vezes, transitório. A queda costuma durar entre três e seis meses e a recuperação ocorre gradualmente. “Na maioria dos casos, o mais importante é aguardar a normalização do ciclo capilar. O eflúvio telógeno pós-infeccioso costuma ser autolimitado”, afirma a médica do Einstein.

O tratamento foca em identificar e corrigir fatores que podem prolongar ou agravar o quadro, como deficiência de ferro, alterações nutricionais, distúrbios hormonais ou outras doenças associadas. A recuperação do volume dos cabelos, no entanto, costuma ser mais demorada, porque os fios precisam voltar a crescer, o que pode levar até um ano.

Procure avaliação especializada se a queda persistir por muitos meses, quando houver redução progressiva do volume, afinamento dos fios, surgimento de falhas localizadas ou sinais inflamatórios no couro cabeludo.

Nesses casos, outras causas podem estar envolvidas, como alopecia androgenética, alopecia areata, alterações hormonais ou deficiências nutricionais. “Nem toda queda de cabelo é um eflúvio telógeno. O diagnóstico correto permite diferenciar uma queda transitória de condições que exigem tratamento específico e acompanhamento a longo prazo”, conclui Bárbara Miguel.

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