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Em novo livro, Maria Homem defende liderança mais coletiva – 07/07/2026 – Equilíbrio

Quando se fala em liderançaé provável pensar em uma única figura que concentra a capacidade de apontar um caminho —seja um chefe, um governante ou qualquer outro tipo de autoridade. Para a psicanalista Maria Homemporém, esse modelo já não dá conta do mundo contemporâneo.

É dessa constatação que nasce seu novo livro, “Procura-se uma Nova Liderança Para um Novo Tempo”.

A obra surge em um momento observado pela autora como de profunda transformação. Se crises econômicas, conflitos geopolíticos, mudanças tecnológicas e desafios ambientais vêm alterando as formas de viver e trabalhar, passa a ser necessário também revisar as estruturas de poder que organizam essas atividades.

“Eu estou discutindo mais do que liderança no trabalho ou na política, é um ensaio sobre uma mudança no tempo que a gente vive. O século 21 é, sem dúvida, uma mudança para um novo paradigma”, afirma.

Apesar de enumeradas na obra, essas mudanças parecem inumeráveis. “Procura-se” passeia pela crise da autoridade, polarização política e as possibilidades de cocriação com a inteligência artificial. Fala também sobre noções de propósito, perda de sentido e volatilidade.

Enquanto essas transformações externas inspiraram a escrita, foram as mudanças na vida pessoal que a incentivaram a escrever. Como conta a autora, seu mundo ficou de “pernas para o ar” depois da morte do marido, o também psicanalista Contato Calligarisem 2021.

Convidada para atuar como professora visitante na faculdade americana de Harvard em 2023, Maria Homem encontrou por lá as teorias que nomeiam o que já estava sentindo e percebendo.

Liderar, segundo ela, não é apenas exercer autoridade sobre outras pessoas, mas assumir responsabilidade sobre a própria vida e os espaços que cada um habita. Nesse sentido, todos seriam líderes em alguma medida.

“É um livro sobre poder, sobre a função do poder e sobre como a gente poderia refazer um pacto social profundo para que todos fôssemos sujeitos.”

A autora recorre ao exemplo dos pássaros migratórios que se revezam na ponta da formação ao longo dos meses em que viajam. Para ela, o mundo atual exige modelos mais distribuídos de tomada de decisão, nos quais a função de liderança circula entre diferentes pessoas conforme as necessidades do grupo.

A figura do líder salvador —apontada por Maria Homem como “profundamente infantil”—, então, cai por terra. A nova liderança não corresponde a uma pessoa ideal, nem mesmo se chamaria de líder.

O que a obra propõe é uma liderança mais consciente de seus limites, capaz de compartilhar poder e reconhecer a complexidade do mundo contemporâneo.

“O livro vem da ideia de uma nova liderança para um novo tempo, mas é, acima de tudo, sobre uma nova consciência para um novo tempo.”

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