esportebrasil24

esportebrasil24

Últimas Notícias

Dieta carnívora: nutricionista alerta sobre riscos – 07/07/2026 – Não Tem Cabimento

Na contramão de dietas restritivas com foco em emagrecimento feminino, protocolos alimentares para ganho muscular conquistam espaço entre homens. A busca por “dieta carnívora” ganhou fôlego em 2024 e atingiu o seu pico no início de 2026, bem como o termo “dieta da selva“, de acordo com dados do Google Trends.

Ambas propõem o consumo primordial de alimentos de origem animal, abrindo mão total ou parcialmente dos vegetais. A ingestão de produtos ultraprocessados é vedada na dieta da selva.

Mas, embora apelem à alimentação natural, esses e outros métodos frequentemente se associam ao discurso de resgate de uma suposta masculinidade ancestral. Em suas teorias, perfis de adeptos nas redes sociais traçam relação entre o elevado consumo de proteína, um corpo musculoso, o aumento de testosterona e uma ideia de homem predatório.

De acordo com a nutricionista Sophie Deramno entanto, não há base científica que endosse essa relação. A especialista ressalta que o consumo de proteína não gera massa muscular se não houver prática de exercícios físicos. O excesso do macronutriente consumido é excretado pelo corpo; o consumo de gordura associado também aumenta os riscos de alteração metabólica e problemas cardiovasculares.

Nesse contexto, a obsessão por proteína pode influenciar na popularidade dessas dietas: enquanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) aconselha a ingestão de até 15% de proteína ao diabrasileiros ingerem cerca de 18%, diz Sophie. Para ela, a nutrição é mero acessório nesses cardápios.

Ainda assim, a ideia de que seguir uma dieta resultará em transformação corporal e comportamental pode atrair jovens em busca de soluções para inseguranças e problemas de socialização, diz o psicólogo Lucas Mascarim.

Ex-integrante da coordenação do Gemas (Grupo de Ensino e Pesquisas em Masculinidades) da USP, Mascarim diz que, entre as ideias associadas a grupos masculinistas como os red pillestá a de que as mulheres emasculam os homens e controlam o mundo, nutrindo um ressentimento de gênero.

“Isso gera teorias de gênero sem fundamentos. Se a ideia de masculinidade associada à predação sugere que homens têm direito a determinadas coisas, logo, ao comer mais carne, desenvolver músculos, entre outros aspectos, espera-se o acesso a esses ‘direitos’. Isso incentiva a violência, que surge como meio de garantir aquilo. Beira uma meritocracia de gênero.”

Nesses contextos, a tentativa de ridicularizar homens que não atendem aos estereótipos masculinistas surge em termos como “soy boy” (ou “sojado”), independentemente de eles comerem carne ou não. A pretensa ofensa está na ideia de que a soja implicaria na alteração hormonal de quem a consome, causando uma suposta feminização. Não há evidências.

De acordo com o psicólogo Lucas Mascarim a figura masculina evocada por esses grupos, no entanto, foi criada pelas sociedades ao longo do tempo e reforçada por aspectos sociais e econômicos.

Do ponto de vista da nutrição, diz Sophie Derama própria evolução humana não se deu pelo consumo de carne em si, mas pelo descobrimento do fogo e de técnicas culinárias. Sophie explica que o processo de pré-digestão resultante do cozimento é importante para o corpo acessar os nutrientes dos alimentos de forma mais eficiente e gastar menos energia.

Assim, ela refuta a relação entre desenvolvimento e dimensão corporal. “Há grandes primatas que não se desenvolveram como nós porque passam o dia comendo folhas para tentar manter aquele corpo, o que torna impossível aprimorar outras habilidades”.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

]

Source link

LEAVE A RESPONSE

Your email address will not be published. Required fields are marked *