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Por que dermatite, caspa e psoríase pioram no inverno – 12/07/2026 – Equilíbrio

Quando as temperaturas caem, a pele fica exposta às mudanças climáticas e aos hábitos característicos do invernocomo banhos quentes e demorados, clima frio e seco e menor ingestão de água. Tal combinação pode desencadear ou agravar doenças como dermatite atópica, dermatite seborreica e psoríase.

Predisposição genética, alterações do sistema imunológico, histórico de alergias e doenças inflamatórias pré-existentes influenciam na manifestação ou na piora das crises nesse período.

Caspa aumenta no inverno?

Sim. Durante os meses mais frios do ano, é comum que a descamação do couro cabeludo se torne mais intensa, devido ao enfraquecimento da camada de proteção natural da pele.

Nessas condições, o couro cabeludo perde hidratação, tornando-se mais suscetível à irritação, coceira e aumento da descamação, ou a quadros de dermatite seborreica.

A caspa pode surgir de forma temporária devido ao uso inadequado do secador ou banhos muito quentes, enquanto a dermatite seborreica é uma condição crônica que envolve mecanismos biológicos, como proliferação de fungos no couro cabeludo ou alterações imunológicas.

Manter a higiene dos cabelos é uma das principais medidas de controle. “Deixar de lavar o couro cabeludo com a frequência necessária pode aumentar a oleosidade, favorecer a inflamação e piorar os quadros de dermatite seborreica. O ideal é preferir água morna e banhos mais rápidos”, indica Carolina Haddad, dermatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

As oscilações emocionais —estresse intenso, noites mal dormidas e situações de desgaste psicológico— desempenham papel relevante na evolução da doença. Os hormônios também têm relação com o quadro.

“Em fases como a puberdade, por exemplo, as alterações hormonais podem aumentar a produção das glândulas sebáceas, levando a uma maior produção de sebo e de oleosidade no couro cabeludo”, diz a dermatologista.

Acessório típico de inverno, o gorro piora as lesões já existentes por manter a região abafada e úmida por muito tempo. Já o secador deve ser usado em temperatura moderada e sem direcionar calor excessivo diretamente à pele, segundo Haddad.

Dermatite atópica

A dermatite atópica está relacionada a uma alteração na barreira de proteção cutânea e a uma resposta exagerada do sistema imunológico. No inverno, a perda de água pela pele estimula o processo inflamatório.

“Antes mesmo de a pele ficar muito vermelha, determinada área começa a coçar, arder ou ficar mais áspera. Depois podem surgir vermelhidão, descamação, pequenas bolinhas, fissuras, placas espessadas e fe ridas por coçadura”, afirma Lauren Morais, presidente da SBD-PR (Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional Paraná).

Ela conta que os principais gatilhos são clima seco, banhos muito quentes, uso de buchas e esfoliantes, perfumes e cosméticos com fragrância e conservantes, tecidos como lã e sintéticos, suor excessivo e estresse emocional. Predisposição genética, alergias respiratórias e fatores imunológicos intensificam a doença.

Para prevenir crises, o ideal é aplicar hidratantes logo após o banho, quando a pele ainda está levemente úmida, ajudando a reter água nas camadas superficiais. Morais indica o uso de produtos para pele atópica ou muito seca, sem perfume, com ativos que ajudem a restaurar a barreira, como glicerina, ceramidas e pantenol. Já os cremes reparadores ou restauradores de barreira têm usos específicos.

“Eles podem ajudar em áreas mais sensibilizadas, irritadas, fissuradas ou com barreira comprometida. Para algumas pessoas, podem funcionar como hidratante diário. Mas, para outras, podem ser pesados demais, especialmente no rosto, em pele oleosa ou acneica”, afirma a dermatologista.

Psoríase e falta de sol

A psoríase é outra condição frequentemente afetada pelo inverno, doença inflamatória crônica que acelera o processo de renovação das células da pele, formando placas avermelhadas recobertas por escamas esbranquiçadas.

A pele ressecada nessa época do ano enfraquece a barreira da pele e facilita o surgimento de lesões. Estresse, infecções, tabagismo, consumo excessivo de álcool, privação de sono e alguns medicamentos também influenciam, diz Mariana Franco, dermatologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Segundo ela, a psoríase pode aparecer em qualquer parte do corpo, incluindo unhas, mãos, pés e áreas de dobras. Mas as regiões mais afetadas são couro cabeludo, cotovelos, joelhos e lombar.

Durante os meses frios, a menor exposição à luz solar piora os sintomas. “A radiação ultravioleta, quando recebida de forma controlada e segura, tem efeito anti-inflamatório e pode ajudar a controlar a proliferação excessiva das células cutâneas característica da psoríase”, diz a dermatologista.

Franco afirma que casos leves costumam ser controlados com medicamentos tópicos, como corticoides e derivados da vitamina D. Já quadros mais intensos podem exigir terapias sistêmicas, imunomoduladores e fototerapia com luz ultravioleta controlada.

“A psoríase é uma doença inflamatória crônica, não contagiosa, que afeta cerca de 1% a 3% da população e que pode ser controlada de forma bastante eficaz, quando diagnosticada precocemente”, diz a dermatologista da BP.

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