Questões relacionadas ao trabalho —incluindo desempregoa qualidade dos empregos e as condições laborais— aparecem como a segunda maior preocupação entre adultos de 107 países, segundo uma pesquisa da Gallup sobre os principais problemas do mundo de hoje.
Muitas vezes, é na hora de procurar uma nova oportunidade no mercado que essas questões são exacerbadas.
Atualizar currículo, montar perfis em plataformas de emprego, personalizar cartas de apresentação, preencher formulários, ir a entrevistas, fazer testes, lidar com novas tecnologias, enfrentar dinâmicas de seleção mediadas por inteligência artificial.
Procurar trabalho dá muito trabalho.
Além de consumir várias horas por dia, essa busca pode afetar tanto o ânimo quanto a autoestima. Como manter o equilíbrio nesta fase?
Você é o seu trabalho?
De Marx a Byung-Chul Han, diversos teóricos já destacaram como, no capitalismo, o valor social das pessoas está diretamente atrelado ao trabalho que elas realizam. Nesse contexto, além da preocupação com o dinheiro, estar sem emprego pode provocar sentimentos como constrangimento e inferioridade.
Quem enxerga o trabalho como o grande propósito da vidaou a principal forma de realização pessoal e social, ainda tende a enfrentar questionamentos sobre a sua própria identidade ao se ver nessa situação.
A questão é que, em grande parte dos casos, o desemprego está mais relacionado à estrutura do mercado de trabalho do que ao mérito pessoal. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego no Brasil foi de 6,1%, o menor índice desde 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo IBGE. Ainda assim, são várias as áreas nas quais a quantidade de profissionais é maior do que o número de vagas disponíveis.
O peso psicológico
Ficar sem emprego acaba afetando uma das qualidades que você mais precisa para conseguir um: a autoconfiança. Rejeições, principalmente após entrevistas e processos seletivos nos quais você sente que foi bem, costumam gerar dúvidas sobre o próprio potencial.
Para quem está trabalhando, mas quer outro emprego, a pressão e o impacto sobre a autoestima podem até ser mais suaves. No entanto, as cargas horárias se somam, o que também é um fator de estresse.
Segundo um estudo apontado como referência sobre o tema, “Desempleo y bienestar psicológico”, o desemprego ainda pode intensificar sentimentos de insatisfação com a vida, esgotamento social e, em alguns casos, levar a quadros de ansiedade e depressão.
Nos últimos anos, surgiu inclusive um termo para descrever um fenômeno cada vez mais comum: doomjobbing.
Inspirada na expressão doomscrolling —o hábito de consumir notícias negativas sem parar—, a palavra descreve a busca por vagas de emprego de uma forma pessimista.
A pessoa passa horas navegando por plataformas de recrutamento sem motivação, a ponto de nem se candidatar às vagas disponíveis. Esse comportamento tende a aumentar a ansiedadea sensação de impotência e o esgotamento emocional.
Como minimizar esses efeitos?
Uma opção é equilibrar horários para buscar trabalho e momentos de lazer e autocuidado.
Compartilhar experiências com amigos e familiares que já passaram pela mesma situação também pode trazer alívio.
Se a busca estiver demorando mais do que o esperado ou afetando o seu bem-estar, vale buscar orientação psicológica. Um coaching de carreira também pode ser útil nos momentos difíceis. Por fim, se houver essa possibilidade, também vale investir tempo em cursos, hobbies ou trabalho voluntário. Essas atividades são boas para ampliar a rede de contatos e manter a mente ativa.
Ao mesmo tempo, é preciso se atualizar: cada vez mais, os sistemas de recrutamento usam inteligência artificial para filtrar currículos. Por isso, é importante entender como esses algoritmos funcionam.
Comece lendo a descrição da vaga com atenção e identifique as palavras-chave relacionadas às habilidades, qualificações e experiências exigidas. Se der match com o seu perfil, adicione esses termos no seu currículo de forma natural. Essa simples estratégia pode ser a diferença entre se fazer notar ou ficar invisível.
Outro ponto importante é o formato. Muitos sistemas têm dificuldade para interpretar currículos com designs elaborados, gráficos ou tabelas. O melhor caminho é optar por um layout limpo e linear.
Algumas ferramentas também podem analisar como seu currículo será interpretado pelas plataformas de currículos, como o Jobscan e o Resume Worded.




