Regina Casé e Mariana Aldano viveram um momento de emoção ao vivo durante o SP1, da TV Globo. A jornalista entrevistava a atriz sobre sua trajetória como apresentadora e acabou chorando depois de agradecer o papel de Regina na valorização da periferia dentro da televisão.
Eu já tinha desistido de sair rápido e estava no quarto tentando fechar uma bolsa que claramente não nasceu para comportar a minha personalidade, quando apareceu Regina Casé fazendo jornalista chorar ao vivo. Parei com metade das coisas para fora, porque domingo com abraço na Globo exige respeito. Tem hora que a fofoca baixa a voz e senta para assistir.

Tudo começou quando Mariana perguntou como surgiu a Regina apresentadora, aquela que colocou a periferia no centro da tela. A atriz explicou que sua própria vivência, somada à falta de representatividade nos meios artísticos e midiáticos, a levou para a televisão.
“Percebi no teatro: ‘Quero falar com todo mundo, então vou para a televisão’”, contou Regina. Ela disse que andava na rua, gostava de baile, de samba, mas ligava a TV e não via aquele universo representado ali.
Regina lembrou programas como Esquenta, Central da Periferia e Brasil Legal, dizendo que passou anos tentando levar para dentro da televisão aquilo que via do lado de fora. Foi nesse momento que Mariana se emocionou.
“Te agradeço por esse olhar que você teve lá atrás, quando muita gente não enxergava isso”, disse a jornalista. Regina respondeu que ficava feliz ao ver Mariana naquele lugar e completou: “Se eu tiver alguma parcela de responsabilidade nisso”.
A fala mexeu de vez com a apresentadora do SP1. “Muito obrigada! Meu coração se alegra por isso. Ai, vou ficar emocionada! Que coisa mais linda, obrigada, viu?”, disse Mariana. Regina também se emocionou e chegou a enxugar uma lágrima.

Depois da entrevista, Mariana olhou para a convidada e pediu: “Posso pedir um abraço?”. Regina respondeu: “Pode, e eu quero dar, mesmo!”. As duas se abraçaram ao vivo antes do noticiário seguir.
E eu achei bonito, viu. Porque televisão ao vivo costuma ser lugar de tempo apertado, ponto eletrônico, pauta dura e cara controlada.
Quando duas mulheres se encontram em cena e uma reconhece na outra uma porta aberta lá atrás, o roteiro escapa da planilha.
Regina Casé pode dividir opiniões, mas é difícil negar que ela ajudou a colocar na TV gente, rua, sotaque, baile, samba, periferia e Brasil real em horários que antes pareciam reservados para uma mesma vitrine de sempre. O choro de Mariana veio daí: não era só homenagem, era reconhecimento.
A cena durou pouco, mas disse muito. Mariana pediu abraço, Regina deu, e a Globo por alguns segundos virou menos estúdio e mais sala de afeto. A gente reclama da televisão, mas quando ela acerta, acerta bem no peito.




