Peptídeos em cosméticos estão na moda, mas ainda têm risco – 11/07/2026 – Equilíbrio
Nos últimos anos, surgiu um boom de novos produtos cosméticos que prometem revolucionar os resultados em rejuvenescimento da pele com o uso de peptídeos. As propagandas afirmam que eles são mais eficientes e seguros até para quem tem a pele sensível. Mas será que são mesmo?
A resposta não é tão simples. De fato, têm o potencial de atuar mais profundamente nas células, mas a sensibilidade varia entre as pessoas e para diferentes tipos de peptídeos.
O Laboratório de Sistemas Complexos do Departamento de Química da PUC-Rio publicou, recentemente, um artigo no periódico American Chemical Society sobre o assunto.
Foi utilizada a inteligência artificial explicável como método alternativo para determinar quais peptídeos são mais seguros contra alergias, para serem usados no desenvolvimento de novos produtos cosméticos.
Mas afinal, o que são peptídeos e por que são tão promissores em cosméticos?
Os peptídeos são pequenas partes de uma proteína. É como se fossem os tijolos de uma casa e a proteína fosse a casa já pronta. Essas pequenas sequências são capazes de conversar diretamente com as nossas células.
Alguns peptídeos tendem a causar mais alergia do que outros. No tratamento do rejuvenescimento facial tradicional, usa-se muito retinol e ácidos, que têm significativamente mais chances de gerar reações alérgicas.
O uso de peptídeos não alérgenos em formulações cosméticas entram como uma alternativa de tratamento de alta performance.
Os não alérgenos ajudam a ter uma comunicação saudável com o nosso organismo, de tal forma que o sistema imunológico não se sinta ameaçado e não gere uma reação inflamatória.
Isso evita o aparecimento de todos, ou pelo menos, da maioria dos sintomas alérgicos que estamos acostumados a ver, como a coceiravermelhidão e a ardência.
Os peptídeos entram como mensageiros que vão se comunicar com as células e ajudar a estimular a produção de colágenoa elastina, e outras substâncias necessárias para o bom funcionamento do nosso corpo.
Colágeno e elastina
O colágeno é a proteína que ajuda a trazer. Já a produção de elastina traz elasticidade. Ao longo dos anos, nossa pele tende a ter um efeito de “derretimento”.
Imagine que o cimento que une os tijolos é o colágeno que não deixa a parede cair. Quando somos jovens, esse cimento está fresco e tem uma equipe de trabalhadores atenta e eficaz para manter sempre firme a estrutura.
Ao longo dos anos, com a presença de alguns fatores como a exposição solar excessiva e sem proteção, estilo de vida, alimentação e poluição associados à genética fazem com que a nossa “equipe de trabalhadores” fique mais lenta e menos eficaz. Então, começam a surgir as “rachaduras” (rugas), a flacidez e outros sinais de envelhecimento.
Para entender o papel da elastina na pele jovem ou de um idoso, pense em um colchão. Quando é recém-fabricado, os materiais internos do colchão são firmes e elásticos. Ao deitarmos, ele se adapta ao peso do corpo, mas assim que nos levantamos retorna rapidamente ao formato original.
Com o passar dos anos, porém, esses materiais se desgastam, perdem elasticidade e deixam de recuperar completamente sua forma. O colchão passa a apresentar afundamentos permanentes, tornando-se menos firme e mais deformado.
Na pele ocorre um processo semelhante. A elastina funciona como esses “materiais” no tecido cutâneo. Enquanto estão íntegros, permite que a pele estique e volte ao normal. Com o envelhecimento e a exposição ao sol, a elastina se degrada e se torna desorganizada.
Como resultado, a pele perde sua capacidade de recuperação, tornando-se mais flácida e propensa ao surgimento de rugas. Assim como um colchão envelhecido perde sua capacidade de sustentar o corpo adequadamente.
Inteligência artificial explicável
Até recentemente, para saber se um peptídeo era alérgeno ou não utilizava-se testes em animaismas atualmente a lei 15.183/2025 proíbe o uso de animais em testes de cosméticos, perfume e produtos de higiene pessoal e seus ingredientes em todo o território nacional.
Diante dessa restrição, precisamos de alternativas e a inteligência artificial axplicável pode ser um caminho.
Diferente da IA tradicional, ela permite interpretar o que tem dentro da “caixa preta” para ter mais transparência na explicação dos resultados de alergenicidade dos peptídeos.
Além de classificar esses peptídeos de acordo com uma certa probabilidade de causar alergiasconseguimos identificar as sequências de forma específica usando interpretadores de última geração.
Ao decifrar os peptídeos alérgenos, conseguimos ajudar na criação de formulações cosméticas mais seguras. Com isso, evitamos a geração de processos inflamatórios e alérgicos.
Enquanto os ácidos geram uma descamação para “forçar” uma renovação celular, os peptídeos não alérgenos entregam mensagens químicas sem gerar respostas alérgicas e de forma mais respeitosa para a célula.
Esses peptídeos geralmente são encontrados em forma de séruns, máscaras e cremes. E podem ser usados em peles com rosáceaárea dos olhos e em peles ultrassensíveis, com acompanhamento profissional.
Este texto foi publicado no A conversa. Clique aqui para ler a versão original.




